quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Fim

A aprovação do impeachment de Dilma irá afastá-la definitivamente do governo. O PT deixa o poder de modo melancólico.
A esmagadora maioria dos brasileiros não quer mais o PT. Até a “nova classe média” se deu conta de que o partido foi o principal artífice da atual recessão econômica, que já fez o desemprego atingir 12 milhões de pessoas.
O PT sempre tentou passar a ideia de que a ascensão de 30 milhões de pessoas para a classe C foi obra do partido. Isso é falso. A redução da pobreza não pode ser atribuída a um governo apenas. A combinação de ações ao longo dos últimos 25 anos permitiu a melhoria nas condições de vida de milhões de famílias no país. 
Na gestão Collor ocorreu a abertura da economia brasileira. O país era fechado para o resto do mundo e isso desestimulava inovações. Além disso, foi nessa época que começaram as privatizações.
No governo Itamar Franco as privatizações foram mantidas e a implantação do Plano Real eliminou uma inflação anual de 2500%, algo que penalizava os mais pobres.
No governo Fernando Henrique as privatizações continuaram. Medidas como a Lei de Responsabilidade Fiscal, o regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e a política de superávit fiscal foram determinantes para a estabilização da economia.
No governo Lula os benefícios das privatizações, da abertura externa e da política de estabilidade macroeconômica dos anos anteriores deixaram tudo pronto para um amplo programa de redistribuição de renda.
O crescimento econômico entre 2004 e 2008, devido em grande parte ao crescimento mundial, facilitou a vida dos petistas. O desemprego em queda, a renda em alta e os programas de assistência social tiveram efeito político magnífico para o governo. Nessa época o PT deveria ter implementado uma nova rodada de medidas fundamentais para o desenvolvimento nacional, como as iniciadas nos anos 90. Foi uma chance para tornar a economia mais competitiva. Mas, o partido não investiu em ações voltadas à qualificação de trabalhadores, à ampliação e modernização da infraestrutura e para a condução de reformas estruturais como a política e a tributária.
O Brasil vive hoje uma crise por conta de erros do PT na economia e por causa da corrupção. Os ganhos na área social retrocedem e pesam para que os petistas deixem o poder. É um fim mórbido de uma legenda que surgiu como redentora dos excluídos e que carregava a bandeira da moralidade.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Parceria para crescer

O consumo das famílias foi o principal elemento de sustentação do mais recente ciclo de crescimento econômico brasileiro. Hoje a expansão do PIB depende fortemente dos investimentos, sobretudo em infraestrutura.
O Brasil vem aplicando em formação de capital o equivalente a pouco mais de 20% do seu PIB. A China investe 46% de seu PIB de US$ 11 trilhões e a Coréia 30% de um PIB de US$ 1,4 trilhão. Países como o Japão, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos investem proporcionalmente ao PIB menos que o Brasil, mas suas economias são significativamente maiores em relação à economia brasileira.
Para enfrentar a escassez de investimentos, frente a orçamentos restritivos, a alternativa passa pela criação de um ambiente que estimule e facilite a celebração de parcerias entre o poder público e as empresas. Nesse sentido surgem as Parcerias Público-Privadas (PPPs).
As PPPs têm enorme potencial para assumir importante papel para os investimentos no país. Para cumprir essa função é preciso superar entraves à sua expansão e consolidação. A inflexibilidade das leis, a instabilidade inflacionária, a fragilidade financeira do poder público, a tributação desestimuladora e a desconfiança nas relações entre o governo e o setor privado limitam o uso desse instrumento.
Historicamente o setor privado vem investindo em bens públicos. Na transição do século 19 para o século 20, a infraestrutura no Brasil foi feita de forma bem-sucedida através de parcerias entre os setores público e privado. As estradas de ferro, todas construídas e operadas pelo setor privado, são um exemplo disso, assim como as concessões de água, a distribuição de energia elétrica e o transporte coletivo.
Até meados do século 20, era comum que essas parcerias fossem utilizadas para suprir a incapacidade do setor público em investir tanto quanto a sociedade moderna demandava. Considerar novamente esse instrumento não seria, portanto, uma novidade, mas um resgate dessa experiência como meio para o financiamento da expansão da infraestrutura.